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<EDIÇÃO 205>


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Pintando Bem

O vermelho escorrendo pela mão erguida diante do Memorial da América Latina denuncia: até mesmo os arquitetos apaixonados pela naturalidade do concreto se rendem ao uso das tintas. Construído no bairro da Barra Funda, em São Paulo/SP, o Memorial destaca-se pelo branco e o cinza de sua estrutura, comuns nas obras que Niemeyer assina em todo o mundo: de Brasília a Paris. Porém, a cor existe em seu trabalho. Sobretudo a vermelha, sua predileta, que está presente no Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo, o “Teatro de Araras”, e no Museu do Homem e do Universo, erguido em Brasília/DF. Este último, aliás, identificado por cinco grandes cúpulas, representando cinco seções: Big Bang, em vermelho; o Universo e o Cosmos, em verde; Fogo e Vulcões, em azul;Terra e Mar, em laranja; e o Homem, em amarelo. Para obras construídas na década de 80 e 90, Niemeyer encontrou tintas e cores adequadas para marcar seus simbolismos arquitetônicos. Imagine, então, o que podem fazer as atuais gerações de arquitetos. Podem usufruir das cores com muito mais presença de espírito. Que nos perdoe Niemeyer, o poeta da arquitetura, mas tintas são obrigatórias em todos os ambientes, internos ou externos. Até mesmo em suas estruturas de concreto, cuja superfícies necessitam da proteção de uma tinta transparente. Além disso, o desenvolvimento do sistema tintométrico eliminou qualquer desculpa sobre as dificuldades de se encontrar a tonalidade exata. Fidelidade em vendas A arquiteta Adriana Tupinambá faz parte de um grupo jovem de profissionais. Formada há 10 anos, ela mantém uma afinidade com o produto brasileiro que, em sua opinião, tem excelente qualidade: “Visitei uma fábrica e fiquei encantada com as tecnologias disponíveis”, acrescentou. Adriana observou que as lojas de material de construção, assim como os fabricantes, passaram a ser seus aliados e perceberam a fidelidade e assiduidade do arquiteto. O nível de atendimento e de informações também melhorou muito e, conforme frisou, há revendas com atendimento focado nas necessidades do profissional. Enquanto o vendedor preocupa- se em vender ao arquiteto, este atende ao usuário final. Portanto, as responsabilidades entre ambos se equilibram, o que induz o arquiteto a preferir produtos mais práticos, que aceitam limpeza constante e demonstrem resistência e durabilidade. “Sinceramente, não ficamos atentos às questões políticas ou ambientes. Nosso foco é o produto, sua manutenção e reação. E a indústria brasileira nos atende plenamente”, explica A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas-Abrafati compactua com as opiniões de Adriana Tupinambá. De acordo com o presidente da entidade, Dílson Ferreira, “a indústria de tintas nacional evoluiu, e muito, nos últimos anos, capacitando-se para atender não só o mercado nacional como também as exportações”. Aspecto ambiental Este é outro ponto importante para a construção civil. Produtos e processos químicos mais seguros e ambientalmente limpos são uma das fortes tendências em todo o mundo. E atinge também a indústria brasileira. Não só nos processos de fabricação mais conscientes. As tintas imobiliárias oferecem redução de custos e menos desperdício do material, somados à redução nos resíduos. Os principais avanços atingem a produção de tintas base-água, que eliminam o uso de solventes, trazendo ganhos ambientais.“Entre as inovações mais recentes, temos as tintas com fragrâncias, as tintas magnetizadas, os diversos tipos de texturas e o desenvolvimento de produtos para ambientes e utilizações mais específicas, como tintas para telhados, azulejos, pisos, madeiras em geral e decks de piscinas”, enumera Ferreira. A Sherwin Williams está investindo em iniciativas que ofereçam mais do que uma simples pintura. Seu mais recente lançamento é o Metalatex Repelente, a primeira que repele o mosquito da dengue, entre outros insetos domésticos. Sua tecnologia foi desenvolvida no Brasil, aplicando em sua formulação aditivos naturais. De acordo com o vice-presidente e gerente geral, Mark Pitt,a tinta não tem propriedades inseticidas ou pesticidas. Sua eficiência age contra os insetos comuns, apenas como um repelente. A empresa buscou na natureza produtos que garantissem o fator de repelência, evitando agressões ao meio ambiente, mas com garantida eficiência. De acordo com a gerente de produto da empresa, Patrícia Fecci, hoje as tintas incluem outros diferenciais aliados à beleza e à durabilidade. Para o Metalatex Repelente, a Sherwin Williams agregou ainda um acabamento acetinado, baixos odores e facilidades de aplicação. “Para obter ação repelente, esse produto exige duas demãos e, em um ano, há uma redução do efeito, necessitando uma nova aplicação”, explica Patrícia. O gerente do Laboratório de Desenvolvimento da Tintas Coral, Mateo Lazzarin, destaca que o setor apresenta muitos avanços entre os polímeros. Em resumo, as resinas, principal componente das tintas para dar brilho, resistência e facilidade de limpeza, contribuem na qualidade do produto final. Os aditivos responsáveis por algumas características especiais também mudaram, evitando problemas colaterais. Mateo defende que, na grande maioria dos casos, as necessidades do consumidor e a preocupação com o meio ambiente respondem pelas mudanças e inovações. Para ele, é subjetivo aplicar valores aos graus de evolução alcançados, mas admite que os atuais produtos são mais versáteis e resistentes, em comparação há 20 anos. A Coral, avançando na área dos biocidas, lançou a versão Teto de Banheiro, que pode ser aplicada diretamente sobre superfícies com mofo e dura cinco vezes mais do que as tintas comuns, e o Coralatex Nova Fórmula Turbo, que garante 20% de rendimento e diluição de até 50%, sem perder o poder de cobertura. Paralelamente, a Tintas Coral usa embalagens PET na composição de matérias-primas. Tal procedimento afirma seu compromisso de associar o respeito ao meio ambiente. Em três anos, a companhia usou cerca de 35 milhões de garrafas recicláveis PET, evitando que esse volume fosse jogado na natureza. Qualidade de vida O coordenador de Serviços ao Mercado da Suvinil, Kleber Tammerik, ressalta que as características de aplicação e resistência dos produtos chamados inovadores são iguais ou, em alguns momentos, até superiores aos convencionais. A empresa adota materiais reciclados como parte da composição das matérias-primas. A evolução tecnológica permitiu que os esmaltes e vernizes da marca Suvinil usem cinco garrafas vazias de PET em sua composição. Portanto, deixa de poluir o meio ambiente, trazendo vantagens ao consumidor. O Esmalte Seca Rápido, para madeiras e metais, usa água como diluente e tem secagem mais rápida, em comparação aos esmaltes convencionais. “No caso dos esmaltes com resina PET, a resistência ao acabamento aumentou e reduziramse as tendências de amarelecimento das cores brancas, característica comum em todos os esmaltes à base de solvente”, explica o coordenador da Suvinil. É um produto com baixo odor, adere diretamente ao alumínio, PVC e galvanizados, seca muito mais rápido e ainda usa água para diluição e limpeza das ferramentas. Em 2007, a Suvinil prevê um investimento de R$ 50 milhões, dirigidos para propaganda e promoção, materiais de PDV, treinamentos, eventos e programa de relacionamento Clube Amigo Suvinil. É um trabalho pulverizado, para atingir diversos públicos: consumidores, revendedores, balconistas, pintores, arquitetos e decoradores. Para fomentar o mercado e gerar demanda, a marca Suvinil está em evidências nas mídias de todo o Brasil. De acordo com Miriam Zanchetta, gerente de Propaganda e Promoção, o objetivo é transformar a tinta em um bem de consumo, fazendo com que deixe de ser somente um “material de construção”. Focada num conceito de renovação, as campanhas mostram o quanto as cores proporcionam bem-estar e qualidade de vida. Up grades Outro importante avanço do segmento aconteceu com o lançamento do sistema tintométrico. Segundo o consultor técnico da Abrafati, Jorge Fazenda, a novidade ampliou o leque de cores, criando um número ilimitado de opções, reproduzindo os vários tons com fidelidade. E o consumidor ainda conta com as cores catalogadas e prontas, que chegam a 2.000 itens. Fazenda ressalta que a indústria atingiu um alto nível de modernização, mas lembra que as tintas em si não mudaram tanto.“Hoje, o que temos são up grades de produtos já existentes. Nossa indústria trabalha muito nisso, e cada vez mais temos maior rendimento, resistência às intempéries, facilidade de limpeza. Ou seja, os produtos cada vez mais simplificam o processo de pintura, recobrem superfícies em mau estado, eliminando etapas de tratamento e, mais do que isso, se preocupam em usar matérias-primas que não prejudicam o meio ambiente”, analisa. Cerca de 80% dos produtos encontrados nas lojas são com base- água e se diluem em água. “Além de se tornarem menos agressivos, continuam resistentes e diminuem a presença de material volátil nas superfícies”, completa, lembrando que já encontramos, também, produtos sem uso de chumbo, material que antes era necessário na composição de determinadas cores. Mangas arregaçadas No entanto, o sucesso do sistema de pintura está totalmente atrelado à qualidade da venda e das informações prestadas pelo lojista. Luis Ferrari, presidente da Associação dos Revendedores de Tintas de São Paulo- Artesp, acredita que o mercado está mais aquecido, e o atendimento passou a ser uma prioridade ainda maior no PDV, porque o consumidor atual é mais exigente. “Precisamos fazer mais do que vender tintas. Precisamos adicionar uma forma diferenciada de tratamento, porque a tinta passou a ser um produto também de decoração, exigindo preparo para orientar na escolha do produto e da cor. O vendedor precisa estar preparado para dar esse suporte”, diz Ferrari. Quando considerada dentro do contexto da construção civil, as tintas imobiliárias são baratas.
Publicado em 08 de outubro de 2007 por Equipe ConstrucaoTotal
 
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