div
buscar
FILTROS:
PRODUTO
FORNECEDOR
ESTADO
CIDADE
 

<EDIÇÃO 228>


EDIÇÕES ANTERIORES
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
 

Proteção em primeiro lugar

Proteção em primeiro lugar

As lojas de material de construção lucram com a venda de EPIs, segmento onde as tendências são colocadas de lado. Para esse mercado, prioridade é a saúde do usuário

Apiora nas condições de trabalho, a redução de custos feita pelas empresas na área de saúde e segurança ? em reflexo da crise mundial ? e a fiscalização insuficiente levaram ao aumento no número de mor tes na construção civil paulista, a que mais emprega no Pais. Só na cidade de São Paulo, 12 operários morreram em acidentes de trabalho de janeiro a julho deste ano. No mesmo período de 2008, foram nove perdas, segundo a Superintendência do Trabalho de São Paulo (SRTE), órgão regional do MTE. Em 2008 inteiro, 15 pessoas faleceram.

A Previdência Social, responsável pelo pagamento de benefícios aos acidentados, não dispõe de dados nacionais recentes. Em 2007, foram 2.804 mortes e 8.504 casos de invalidez permanente registrados em todos os setores da economia. Desse total, 28% aconteceram na construção e no transporte.

A construção civil responsabiliza-se por 17% do total de mortes por acidentes de trabalho, no mundo. Em números, essa porcentagem aponta 60 mil trabalhadores/ ano, que perdem a vida no exercício da profissão. Os dados fornecidos pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam o quanto o setor necessita do esforço de todos os envolvidos: engenheiros, arquitetos, fabricantes, empresários, sindicatos e revendedores.

Um em cada 10 trabalhadores já foi vítima de acidentes. A mão e as costas são as partes mais afetadas em 35% deles.

O que é mais barato?

Arcar com a obra parada por tempo determinado ou prevenir acidentes e dotar os trabalhadores com os equipamentos necessários?

Apontada nos Artigos 157, II e 158, I e 166 da CLT, a nossa legislação é uma das mais rigorosas. Porém, a fiscalização ainda é deficiente e falta orientação aos trabalhadores sobre o uso, a importância e a segurança dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Detalhe importante: não estão computados os acidentes em atividades caseiras e comuns ao dia a dia. O simples ato de trocar uma lâmpada usando uma cadeira; ou manipular produtos químicos sem a proteção de luvas e máscaras também expõem riscos à saúde sem que o consumidor perceba.

O Brasil figura entre os pioneiros em diversas iniciativas, embora poucas delas evoluam e sejam colocadas em prática no nosso cotidiano. Em 2002, nosso País tornou-se o primeiro na criação de normas para avaliar o conforto do calçado de segurança, por intermédio da ABNT. Equipamentos de Proteção Individual ou EPIs são quaisquer meios ou dispositivos destinados a ser utilizados por uma pessoa contra possíveis riscos ameaçadores da sua saúde ou segurança durante o exercício de uma determinada atividade. Um equipamento de proteção individual pode ser constituído por vários meios ou dispositivos associados de forma a proteger o seu utilizador contra um ou vários riscos simultâneos. O uso deste tipo de equipamentos só deverá ser contemplado quando não for possível tomar medidas que permitam eliminar os riscos do ambiente em que se desenvolve a atividade. Especialmente para os calçados, as normas são NBR 12.549/1992, que envolve as exigências técnicas de segurança para construção de calçado de proteção/procedimento, e NBR 12.561/1992, sobre calçado de proteção/especificação. O governo brasileiro já definiu a legislação sobre o uso do EPI em todos os setores, principalmente na construção civil. Afinal, é o ramo da economia com o segundo maior índice de acidentes de trabalho, perdendo somente para a área de saúde. Com o aumento da fiscalização, e uma conscientização em que o trabalhador gradativamente é mais valorizado, o uso do EPI também acompanha essas mudanças culturais.

O número de acidentes já demonstra uma considerável queda. Em 1972, dos 12 milhões de trabalhadores na construção, 1,2 mil foram afetados por acidentes em atividade. Hoje, esse número aumentou para 34 milhões de trabalhadores, com 400 mil acidentes/ano. O uso de EPI e o respeito à legislação certamente influenciaram na redução desse número.

O revendedor também tem sua parcela de contribuição nessa transformação de condutas na construção civil. De acordo com especialistas, ele pode se manter informado sobre as leis, para usar isso como argumento de venda, e até se transformar numa espécie de consultor, oferecendo o EPI adequado à determinada função. Para as grandes lojas e home centers, pode-se criar um atendimento técnico, baseando-se em vendedores especializados. Afinal, há tantos itens disponíveis para a construção que é impossível generalizar o atendimento, sobretudo se a loja tem uma seção especial para esse segmento.

Segundo Adalberto Dias, da Balaska, ?o mercado está aquecido e tende a crescer cada vez mais, pois o nível de conscientização a respeito da segurança é cada vez maior. A fiscalização constante do Ministério do Trabalho junto aos canteiros de obras também colabora para a evolução do mercado.?

Capacete no carro

Para o técnico de Segurança e assessor da Presidência do Sintracon/SP ? Sindicato dos Trabalhadores da Construção ?, e vice-presidente do Sindicado dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo-Sintesp, Laércio Fernandes Vicente, no mercado formal a legislação hoje é respeitada e cabe às construtoras e aos seus responsáveis fornecer de EPI gratuitamente a todos os envolvidos na obra. No entanto, ainda existe certa resistência ao uso, porque muitos operários reclamam do desconforto dos produtos.

Ele adverte que nem sempre o melhor preço significa que é o melhor produto. ?Além do conforto, há o aspecto legal, no qual o EPI deve atender ao Certificado de Aprovação-CA, notificação que garante um produto de acordo com as normas. Em nosso sindicato, defendemos o uso de produtos dentro das normas, mas também alertamos sobre o conforto que todo EPI deve oferecer ao usuário?, destaca Laércio.

A indústria nacional já oferece bons calçados, capazes de durar até um ano, com uso diário. O técnico do Sintracon sugere produtos hidrofugados, com solado bi-densidade e ressalta que existem modelos masculinos e femininos que podem ser usados até socialmente, ou seja, não é preciso fazer a troca ao deixar a obra, quando o profissional atua no canteiro e também na área administrativa. ?O importante é lembrar que o respeito ao uso do EPI traz inúmeros benefícios para o responsável da obra?, ressalta.

Mas, na informalidade, a utilização do EPI nem sempre é respeitada e, conforme acrescenta Laércio, não há controle da fiscalização neste segmento. Portanto, vale a conscientização de cada profissional. Nota-se que, em construção, é impossível carregar blocos sem a proteção de luvas, assim como visitas sem uso de capacete, protetores auriculares e óculos. "Em todas as operações com cimento, bloco, tintas e produtos que agridem a pele, o uso de luvas é obrigatório e até nas tarefas domésticas, de manutenção do imóvel, hobbistas e donas de casa usam o EPI para executar serviços de jardinagem, limpeza e manutenção. O uso de luvas felizmente vem se tornando um hábito no Brasil", completa.

Conscientização

Além de ser uma obrigatoriedade em qualquer atividade de risco na Construção Civil ou em outros segmentos, os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) estão se tornando uma necessidade para a proteção da saúde dos trabalhadores e a redução de riscos de acidentes de trabalho, estimulando o desenvolvimento de novas soluções que facilitem o dia a dia dos usuários, protejam sua integridade física e que favoreçam os distribuidores, atacadistas e lojistas através de uma variedade de equipamentos adequados para cada atividade. A conscientização sobre a importância da utilização destes equipamentos é um dos fatores decisivos para a compra. Neste caso, a atuação do vendedor é fundamental na orientação e a disposição dos produtos no ponto-de-venda também interfere na escolha e incentiva a aquisição do EPI?s. A Vonder prepara sua equipe de vendas e promotores afim de orientar o lojista na organização do PDV, praticando o cross merchadising, uma estratégia simples, que reúne produtos de um segmento a produtos complementares, incentivando o consumo de ambos.

Enquadrada dentro dos mais rigorosos padrões de qualidade, oferecendo ao mercado produtos profissionais, a Vonder também possui uma linha completa de EPI?s, composta por óculos de segurança, máscaras e escudos para solda, protetores faciais, lentes redondas e retangulares, máscaras descartáveis, botas em PVC, botinas de raspa, capacetes, abafadores de ruídos, protetores auditivos, capas e aventais de PVC, luvas de látex, malha e lona, fitas anti-derrapantes, fitas demarcação e cones de sinalização.

Apresentação

A apresentação dos produtos nas revendas é muito importante para a venda. Na opinião de Marcos Filho, marketing da Bracol, ?nossos produtos já são apresentados para o mercado de maneira diferenciada destacando o confor to, a qualidade e principalmente a confiabilidade por se tratar de um ítem de segurança, onde a marca Bracol é sinonimo de qualidade.?

Ter produtos de EPI no PDV, não importa o tamanho da loja, hoje em dia é fundamental para atender ao mercado. ?A linha de equipamentos de proteção individual é hoje uma realidade e muito respeitada pelos revendedores, pois proporciona ótima rentabilidade para a loja?, explica Adalberto Granado Dias, gerente comercial família Dura Plus/Balaska.

?Por se tratar de produtos que refletem diretamente na segurança de seus usuários, vejo que nossos produtos deva ser apresentado com a mesma responsabilidade que os produzimos,ou seja uma divulgação da qualidade que são produzidos em respeito ao usuário, sua vida e a todos que dependem do seu trabalho. Não podemos pensar diferente e cumprirmos com a normas vigentes no País e nossa responsabilidade social?, informa Mauro Maineti, diretor Geral da Ultra Master Plug.

Abordagem

Outro ponto muito importante para a venda dos EPIs é quanto a abordagem feita ao cliente. ?O revendedor tem de ficar atento não somente com a venda de balcão, varejo, mas tasmbém para as oportunidades do mercado que está em plena expansão. Eles devem se estruturar com trabalhos técnicos feitos com os usuários das empresas/indústrias e com isso fidelizar os clientes por meio da prestação de serviços?, explica Marcos Filho, da Bracol.

?Com o aumento da fiscalização, e maior conscientização, o EPI é tema recorrente e produto importante para a loja. O revendedor deve ter a linha completa, com capacetes, óculos, luvas, botinas, protetores faciais e máscaras filtrantes, para atender ao consumidor corretamente e a melhor localização da linha de equipamentos de proteção individual na loja é no setor de ferramentas. Recomendamos também a exposição (cross) próxima de produtos que possam trazer riscos no seu manuseio, como: óculos próximos de furadeiras e máquinas de corte; luvas próximas de tinners, tintas; máscaras filtrantes (respiradores) próximas de lixas etc.?, explica Adalberto Dias, da Balaska.

?Preocupação com a segurança deve ser constante e atuante. Produtos com qualidade ganham seus espaços em todas as empresas que seguem esta regra e procuram nas revendas tais produtos. Porém, além da exposição em pontos estratégicos da loja, um fator importante é uma apresentação destacada ao usuário que vai buscar um EPI. Outra coisa é que tais produtos estejam em destaque da loja. Mas, o mais importante é o treinamento dos atendentes para que possam apresentar as qualidades de cada produto para que o consumidor final tome sua decisão quanto à sua segurança?, avalia Mauro Maineti, da Ultra Master Plug.

Falta de atenção

Dos acidentes de trabalho ocorridos na Região Metropolitana de São Paulo, 73,39% são ocasionados pela falta de atenção; 7,49% por falta do uso de EPI; 7,22% por falta de proteção; 4,54% por correria no trabalho; e 2,41% por descuido da administração da obra. Este é a opinião de uma mostra de 659 trabalhadores entrevistados em junho pelo Sintracon-SP e divulgada pelo presidente daquele sindicato, Antonio Ramalho, no início de agosto.

O evento de divulgação contou com as presenças, entre outros, do vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do SindusCon-SP, Haruo Ishikawa; da secretária municipal do Desenvolvimento Social, Alda Marco Antonio; dos presidentes da Feticom, Emilio Alves Ferreira Júnior; do Seconci, Antonio Carlos Salgueiro, e do Sintesp, Armando Henrique, além de um representante da SRTE-SP

Dos entrevistados, 82,85% informaram ter recebido algum tipo de treinamento sobre prevenção de acidentes de trabalho e 91,65% afirmaram não ter sofrido acidente em obra. A grande maioria, 78,91%, disse não ter feito qualquer curso de qualificação. Dos acidentados, 19,64% tiveram a mão atingida, 16,07% a perna, 12,50% as costas e 10,71%, braço e dedo.

Dos atingidos, 34,54% permaneceram afastados por mais de 2 meses e 18,18%, de 8 a 15 dias. E 90,59% relataram não ter perdido algum familiar ou amigo em decorrência de acidente de trabalho.

Quanto ao nível de escolaridade, 45,52% tinham o básico, 30,35% o fundamental e 21,40% o médio; 2,28% disseram não ter estudado e 0,30% cursaram o nível superior.

Levantamento feito pela SRTE-SP mostra uma diminuição no número de acidentes fatais até 2008 na capital paulista. Em 1997, para cada 15 mil trabalhadores empregados, registraram-se 3,2 acidentes letais. Em 2008, esse número reduziu-se para 0,7.

É indispensável

Setores nos quais o EPI é indispensável

- Área administrativa
- Engenharia e construção civil
- Para se proteger em tarefas como remoção de entulhos, proteger-se de pontos cortantes, pontos escorregadios, cargas pesadas e com cantos pontiagudos, entre outros.
- Tarefas expostas às altas temperaturas
- Campo e indústria canavieira
- Indústria química e laboratorial
- Indústria alimentícia
- Situações expostas a ambientes com baixas temperaturas
- Proteção para indústria de insumos
- Instalações elétricas
- Indústria pesada e automobilística
- Indústria de bebidas
- Limpeza pública, urbana e saneamento
- Petróleo e combustíveis
- Mineração, escavações, fundações e insumos
-Setores elétricos em geral
- Microeletrônica
- Treking, laser, esportes e atividades casuais

Publicado em 24 de agosto de 2009 por Equipe ConstrucaoTotal
 
Publicidade
 
sp sp sp sp sp sp sp